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Domingo, 31 de Janeiro de 2010

O fator MST

A elite, Jobim e Katia usam o MST para coagir Lula e Dilma (PHA)

 

do Brasília, eu vi

 

No flagrante, família de suspeitos sendo encaminhada à chefatura de Bauru

Di Cavalcanti  -  "A criança morta" 

 

por Lendro Fortes

 

A prisão de nove lideranças do MST, no interior de São Paulo, algumas das quais filiadas ao PT, foi o ponto de partida de uma estratégia eleitoral virtualmente criminosa e extremamente profissional, embora carente de originalidade. Trata-se de perseguição organizada, de inspiração claramente fascista, de líderes de um movimento que diz respeito à vida e ao futuro de milhões de brasileiros, que revela mais do que o uso rasteiro da política. Revela um tipo de crueldade social que se imaginava restrita a políticos do Brasil arcaico, perdidos nos poucos grotões onde ainda vivem, isolados em seus feudos de miséria, uns poucos coronéis distantes dos bons modos da civilização e da modernidade.

No entanto, o rico interior paulista, repleto de terras devolutas da União griladas por diversas gerações de amigos do rei, tem sido um front permanente dessa guerra patrocinada pela extrema direita brasileira perfilada hoje, mais do que nunca, por trás da bela fachada do agronegócio e sua propalada importância para a balança comercial brasileira. Falar-lhes mal passou a ser de mau alvitre, um insulto a uma espécie de cruzada dourada cujo efeito colateral tem sido a produção de miséria e cadáveres no campo e, por extensão, nas cidades. É nosso mais grave problema social e o mais claramente diagnosticável, mas nem Lula chegou a tanto.

Assim, na virada de seu último ano de mandato, o presidente parece ter afrouxado o controle sobre a aliança política que lhe permitiu colocar, às custas de não poucos danos, algumas raposas dentro do galinheiro do Planalto. Bastou a revelação do pacote de intenções do Plano Nacional de Direitos Humanos, contudo, para as raposas arreganharem os dentes sem medo, fortalecidos pela hesitação de Lula em enquadrá-los sob o pretexto de evitar crises inevitáveis. A reação do ministro Nelson Jobim, da Defesa, ao PNDH-3, nesse sentido, foi emblemática e, ao mesmo tempo, reveladora da artificialidade dessa convivência entre forças conservadoras e progressistas dentro do governo do PT, um nó político-ideológico a ser desatado durante a campanha eleitoral, não sem traumas para a candidata de Lula, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.

Com a ajuda de Jobim, a velha sanfona anticomunista voltou a soltar os foles e se engajou nesse desarranjo histórico que tem gerado crises artificiais e um consequente show de péssimo jornalismo. Tocou-se, então, o triste baião anti-Dilma das vivandeiras, a arrastar os pés nas portas dos quartéis e a atiçar as sentinelas com assombros de revanchismo e caça às bruxas, saudosos do obscurantismo de tempos idos – mas, teimosamente, nunca esquecidos –, quando bastava soltar bestas-feras fardadas sobre a sociedade para calá-la. Ao sucumbir à chantagem de Jobim e, por extensão, à dos comandantes militares que lhe devem subordinação e obediência, Lula piscou.

No lastro da falsa crise militar criada por Jobim, com o auxílio luxuoso de jornalistas amigos, foi a vez de soltar a voz o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, cujo arrivismo político iniciou-se na ditadura militar, à qual serviu como deputado da Arena (célula-tronco do DEM) e presidente do INPS no governo do general Ernesto Geisel, até fazer carreira de ministro nos governos Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula. Essa volatilidade, no entanto, sempre foi justificada por conta de um festejado “perfil técnico” de Stephanes. Trata-se de um mistério ainda a ser desvendado, não a capacidade técnica, mas as intenções de um representante político do agronegócio dentro governo Lula, uma posição institucional baseada em alinhamento incondicional à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), comandada pelo senadora Kátia Abreu, do DEM de Tocantins.

Com Kátia, Stephanes ensaiou um animado jogral e conseguiu, até agora, boicotar a mudança dos índices de produtividade agrícola para fins de reforma agrária – um tiro certeiro no peito do latifúndio, infelizmente, ainda hoje não desferido por Lula. Depois, a dupla partiu para cima do PNDH-3, ambos procupadíssimos com a possibilidade de criação de comitês sociais a serem montados para mediar conflitos agrários deflagrados por ocupações de terra. Os ruralistas liderados por Kátia Abreu e Ronaldo Caiado se arrepiam só de imaginar o fim da tradicional política de reintegração de posse, tocada pelos judiciários e polícias estaduais, como no caso relatado nesta matéria de CartaCapital. A dupla viu na proposta um incentivo à violência no campo, quando veria justamente o contrário qualquer menino bem educado nas escolas geridas pelo MST. São meninos crescidos o suficiente para saber muito bem a diferença entre mediadores de verdade e os cassetetes da Polícia Militar.

O governo Lula já havia conseguido, em 2008, neutralizar um movimento interno, tocado pelo Gabinete de Segurança Institucional, interessado em criminalizar o MST taxando o ato de invasão de terra de ação terrorista. Infelizmente, coisas assimainda vêm da área militar. O texto do projeto foi engavetado pela Casa Civil por obra e graça da ministra Dilma Rousseff. Lula, contudo, não quer gastar o último ano de uma era pessoal memorável comprando briga com uma turma que, entre outros trunfos, tem uma bancada de mais de uma centena de congressistas e a simpatia declarada do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Assim, distraído, o presidente deixou que Jobim e Stephanes envenenassem o processo político às vésperas das eleições, com óbvios prejuízos para a candidatura Dilma, bem no começo da briga com José Serra, do PSDB, o governador que por ora se ocupa em prender militantes do MST e do PT enquanto toca terror em assentamentos cheios de mulheres e crianças, no interior de São Paulo, com seu aparato de segurança pública.

O MST existe há 25 anos e é o mais importante movimento social de base da história do Brasil. A crítica à sua concepção socialista e a eventuais desvios de conduta de alguns de seus participantes é, deliberadamente, ultradimensionada no noticiário para passar à sociedade, sobretudo à dos centros urbanos, a impressão de que seus militantes são vândalos nutridos pelo comunismo e outras reflexões sociológicas geniais do gênero.

A luta do MST é, basicamente, a luta contra o latifúndio e a concentração fundiária nas mãos de uma elite predatória, violenta e vingativa. Essa é a origem de todos os problemas da sociedade brasileira desde a sua fundação, baseada em capitanias hereditárias, em 1532. Nenhum governo teve a coragem necessária, até hoje, para tomar medidas efetivas para acabar com o latifúndio e, assim, encerrar com esse ciclo cruel de concentração de terras no campo brasileiro, responsável pelo inchaço das periferias e pela violência contra trabalhadores rurais, inclusive torturas e assassinatos, com o periódico beneplácito da Justiça e das autoridades constituídas, muitas das quais com campanhas eleitorais financiadas pelos grupos interessados em manter este estado de coisas.

A luta contra o latifúndio não é a luta contra a propriedade privada, essa relação também foi contruída de forma deliberada e tem como objetivo tirar o verdadeiro foco da questão. A construção desse discurso revelou-se um sofisma baseado na a inversão dos valores em jogo, como em uma charada de um mundo bizarro: a ameaça social seria a invasão (na verdade, a distribuição) de terras, e não a concentração no campo, o latifúndio. E isso é vendido, assim, cru, no horário nobre.   

É uma briga dura, difícil. Veremos se Dilma Rousseff, em cima do palanque, será capaz de comprá-la de novo.

 

publicado por Levy às 17:56
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O RODRIGO VIANNA AVISOU. AGORA, VOCÊS SÃO TESTEMUNHAS

 

por Luiz Carlos Azenha

 

Quando o repórter Rodrigo Vianna escreveu uma carta denunciando a manipulação grosseira do noticiário da TV Globo em ano eleitoral (2006), enfim ouviu-se uma voz "de dentro" da emissora, de alguem diretamente envolvido com os acontecimentos. Não foi a única. O Rodrigo "representou" um grupo de profissionais, alguns dos quais continuam na emissora, que não se conformaram com os métodos manipuladores de Ali Kamel, novos no sentido de serem mais sofisticados, mais difíceis de perceber, novos por envolverem não só o noticiário, mas também programas de entretenimento da emissora.

 

Conforme denunciou Marco Aurélio Mello, ex-editor de Economia do Jornal Nacional em São Paulo, no período eleitoral de 2006 a Globo "tirou o pé" das reportagens econômicas produzidas em São Paulo. Supostamente, elas beneficiariam o candidato Lula, já que a economia brasileira ia bem. Por outro lado, a emissora tratou de concentrar os seus recursos econômicos e profissionais na cobertura de assuntos e escândalos que poderiam desgastar o candidato Lula, escondendo assuntos que poderiam afetar a oposição. De repente, como que caído do céu, o comentarista Alexandre Garcia passou a pontificar no programa de Ana Maria Braga, dentre outros episódios que caracterizaram a tentativa de manipulação do eleitorado.

 

Desde 2006 a série sobre a revista Veja, de autoria do blogueiro Luís Nassif, demonstrou claramente como o Jornalismo da Abril foi colocado a serviço de certos interesses. E Paulo Henrique Amorim, na tradição sarcástica do jornalismo carioca, popularizou a expressão PIG para abarcar um conjunto de ações movidas pela mídia brasileira contra interesses populares, denunciando também a relação carnal entre o PSDB e os donos dos mais importantes grupos de mídia do país, notadamente as Organizações Globo, a Abril, a Folha e o Estadão.

 

Os últimos dias tem sido pródigos em exemplos de que o que aconteceu em 2006 e nas "crises" subsequentes -- da epidemia de febre amarela ao caos aéreo -- está se repetindo em 2010. Uma pesquisa do Vox Populi, demonstrando que em algumas semanas a candidata governista Dilma Rousseff subiu 9 pontos nas preferências do eleitorado, enquanto o candidato José Serra caiu 5 pontos, teve a sua divulgação adiada por uma semana pela empresa que comprou o levantamento -- a Rede Bandeirantes --, provavelmente para que a notícia, dada na noite de sexta-feira, "coincidisse" com um fim-de-semana, quando cai a leitura de jornais, a audiência de telejornais e o público dos blogs.

 

Na divulgação da pesquisa, a emissora não apresentou um gráfico comparativo com as pesquisas anteriores, demonstrando que a candidata governista está em ascensão, enquanto José Serra está em queda:

 

clique aqui para ir ao site

 

Distorções na forma e na apresentação dos dados de pesquisas eleitorais são preocupantes, uma vez que as três principais empresas pesquisadoras do país fornecem seus resultados a grupos de mídia comprometidos com o candidato Serra: Datafolha, Vox Populi (TV Bandeirantes)  e Ibope. O presidente deste último, aliás, deu entrevista prevendo a vitória do candidato Serra em 2010.

 

Muito embora se possa atribuir à "identidade ideológica" o comportamento partidarizado de grupos de mídia que se apresentam como "neutros" na disputa eleitoral, o Jornalismo ainda nos deve uma investigação sobre se existe ou não uma ação organizada para "escolher" escândalos a serem repercutidos ou notícias a serem escondidos. Nesse sentido, o depoimento de Rodrigo Vianna e de outros profissionais da TV Globo continuam sendo únicos.

 

A diferença, em relação a 2006, é que agora algumas dezenas de milhares de brasileiros já estão treinados em identificar manipulações, distorções, omissões e falsidades midiáticas, um trabalho antes exclusivo de estudiosos do ramo. Trata-se, pois, de um avanço notável, cujo impacto se multiplica com a expansão do público da blogosfera.

publicado por Levy às 17:40
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O Rio dos Hi-Tech e o Rio do povão

 Do Tijolaço.com

 

 

O prefeito Eduardo Paes que me perdoe, mas não dá para aceitar que uma cidade como a nossa gaste R$ 60 milhões para transformar o Túnel Rebouças, nas palavras de seu secretário Luiz Guaraná, num túnel hi-tech. Que o túnel precisa de obras, claro, mas daí a investir esta fortuna para colocar fibra de vidro nas paredes e iluminação a “Leds”, francamente… E ainda fechar as galerias por dois anos, todas as noites?

Semana passada, os jornais anunciaram que 98% das vias do Rio de Janeiro estão em petição de miséria e o prefeito vai pegar justamente aquela que não tem tantos problemas – o maior é o de gerenciamento do tráfego e dos acessos na Lagoa – e colocar esta fortuna ali? Sessenta milhões de reais, prefeito, para azulejar 10 quilômetros de muretas (2.800 em cada sentido, dos dois lados) e forrar tudo de fibra de vidro? Está sobrando dinheiro na Prefeitura? Faz apenas 3 anos e meio que se gastou mais de R$ 2 milhões para fazer a recuperação estrutural e de iluminação e ventilação do túnel. Foi mal feito? Que se cobre o reparo, está no prazo de garantia de obras civis!

O primeiro trecho da Linha Vermelha, entre São Cristóvão e a Ilha, feito no Governo Leonel Brizola, prefeito, não chegou a custar o dobro desta reforma cosmética. Olhe a diferença em benefício para a cidade! O senhor diz que a reforma vai tornar o Rebouças “um túnel de uma cidade civilizada”. Cidade civilizada, prefeito, é cidade onde as pessoas têm boas escolas, boa saúde, não moram em áreas de risco e em habitações precárias e não onde a entrada dos túneis é iluminada por “LEDs”.

Numa coisa o Prefeito tem razão, porém. É quando diz que vai ser muito xingado durante as obras. Vai sim, por cada um dos cariocas que precisa de obras mais prioritárias e que vê o dinheiro da Prefeitura ser desperdiçado num capricho elitista de vaidade.

O Rio é lindo, Governador. Não precisa de LEDs nos túneis, precisa é cuidar bem dos cariocas.

Eduardo Paes já foi filiado a cinco partdos: PV, PFL(DEM), PTB, PSDB e PMDB

 

publicado por Levy às 17:04
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Por laranjas, prisão. Por massacre, liberdade.

 

Carlos Latuff: Judiciário, agronegócio e reforma agrária no Br. Maria Frô

 

 

Do Tijolaço.com

 

O juiz  Mário Ramos dos Santos, de Lençóis Paulista, prorrogou por mais cinco dias a prisão preventiva de sete militantes do MST detidos desde terça-feira pela invasão da Fazenda Cutrale – localizada em terras públicas – em outubro passado. A decisão foi anunciada hoje à tarde pelo delegado da cidade.

Não vou discutir o ato do juiz. Louvo até sua presteza, porque quando se matam lavradores os culpados, com frequência, levam anos para ser presos, quando o são.

Mas gostaria de perguntar à Justiça brasileira se é justo e equilibrado um judiciário que, até hoje, mais de 13 anos depois, deixa soltos os responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, onde 19 sem-terra perderam a vida, sete deles mortos a golpes de facão e foice, numa ação policial no Pará.

Se os sem-terra arrancaram laranjeiras e depredaram patrimônio, sem dúvida devem responder por estes atos. Mas não me parece que sejam mais graves do que exterminar vidas humanas. Ou será que são?

Por aí se vê como é correta a orientação do Plano Nacional dos Direitos Humanos de determinar a mediação pacífica antes da autorização do uso da força em questões de terra. Até porque, embora a grande maioria do Judiciário, hoje, se dedique exclusivamente ao Direito, há por este interior afora um sem-número de delegados, promotores e juízes que são, também, proprietários rurais e assumem, por vezes até inconscientemente, um lado nestes conflitos.

Mas esse contraste não quer calar. Para pés de laranja, prisão. Para assassinato, liberdade.

Altair, Marlene e Rui Fernando, os presos

PS. Alertado pelo leitor Gílson Sampaio, vejo que, contra sem-terras, a Justiça não apenas é rápida como até se antecipa aos fatos. Três sem-terra foram presos em Imbituba, Santa Catarina, acusados de “planejar” invadir terras, amanhã. Foram presos ontem e anteontem, durante uma reunião, pacífica e onde não havia armas. Contra eles foi mandado um grupo de 30 policiais fortemente armados e o líder do MST, Altair Lavratti, embora não reagisse, foi algemado. A presidente da Associação Comunitária Rural do Município, Marlene Borges, grávida de três meses, chegou a ser mandada para um presídio em Criciúma. Felizmente, o Tribunal de Justiça do Estado já deu habeas corpus aos três.

 

publicado por Levy às 06:24
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José Serra: Privatizar, privatizar, privatizar...


José Serra já privatizou até as águas da chuva

 

 

TCE suspende licitação de R$ 2 bi do Metrô

 

 

Tribunal aceitou argumento de que era direcionada a concorrência para transferir gestão do sistema de bilhete único

 

Central Brasileira do Setor de Serviços questiona prazo de 30 anos e diz que entregar a concessão a uma só empresa criaria um monopólio

 

Da Folha de S.Paulo

 

MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL


O TCE (Tribunal de Contas do Estado) suspendeu uma das maiores licitações em curso no Estado de São Paulo -a que transfere para a iniciativa privada a gestão do sistema de bilhete único na região metropolitana. O valor mínimo que o governo pede para a concessão é de R$ 2 bilhões. O Rodoanel Sul, uma das maiores obras do governo, custou R$ 4,5 bilhões.

O conselheiro do tribunal Claudio Alvarenga concedeu uma liminar a duas empresas que contestam o edital. Para as empresas, há pelo menos três problemas na concessão: ela seria direcionada para um grupo, pode criar um monopólio e o município de São Paulo não obteve autorização da Câmara para privatizar esse serviço.

A concorrência deveria ter sido concluída no dia 5 de janeiro, mas agora não tem prazo para ser finalizada. Alvarenga pediu explicações ao Metrô.

A concessão passará para a iniciativa privada o sistema de bilhetagem de ônibus, trens e metrô da Grande São Paulo.

A empresa cuidará dos serviços de emissão de cartões e gerenciamento de valores que atingiu R$ 6,6 bilhões em 2008 -é o total arrecadado com a venda de bilhetes na região.

A vencedora acumulará os serviços que hoje são feitos por quatro empresas: o Metrô, a CPTM (de trens), a EMTU (que cuida dos ônibus da Grande São Paulo) e a SPTrans, que gerencia os transportes na cidade.
Em 2008, as empresas da região metropolitana transportaram 4,3 bilhões de passageiros.

Uma ação na Justiça busca mudar as condições da licitação e acusa o Metrô de direcionar a concorrência. O direcionamento, segundo o advogado Percival Maricato, foi feito por meio de uma exigência: a vencedora tem de ser capaz de processar 30 milhões de informações em 30 dias seguidos.

Só a Visa e pouquíssimos bancos têm capacidade para atender essa exigência, afirma Maricato. O Metrô diz que a exigência não é restritiva.

A ação foi impetrada pela Cebrasse (Central Brasileira do Setor de Serviços), que reúne quatro federações e 70 sindicatos patronais. A entidade diz na ação que a entrega da concessão para uma única empresa criaria um monopólio e que o prazo de 30 anos fere o princípio da razoabilidade, já que a concessionária não precisará fazer obras de grande porte, como a rodovia Imigrantes.

A lei das licitações diz que o administrador deve dividir os serviços sempre que possível para elevar a competição e evitar eventuais monopólios.

"O processo todo é absurdo. Vão criar uma situação de monopólio por 30 anos. É mais uma decisão autoritária do governo Serra", diz Paulo Lofreta, presidente da Cebrasse.

De acordo com Maricato, a decisão de entregar a concessão para uma empresa afronta pelo menos quatro decisões do Tribunal de Contas da União, determinando a divisão de contratos sempre que possível.

A concessão do sistema de bilhetes prevê que a empresa vencedora pagará uma indenização de R$ 212 milhões para a SPTrans, já que o sistema de bilhete único foi desenvolvido pela empresa municipal. Lofreta diz que o valor é "ridículo".


OUTRO LADO

Empresa afirma que edital não é direcionado

O Metrô diz que já enviou esclarecimentos ao TCE, mas se negou a informar qual é o teor do documento.
A empresa afirma que não tem procedência a acusação que o edital é direcionado. Segundo o Metrô, a exigência de 30 milhões de transações por 30 dias consecutivos pode ser atendida pelas empresas que trabalham com bilhetes hoje, pela rede bancária e por operadoras de cartões de crédito de lojas.

Para a companhia, "a exigência técnica do edital representa apenas 9,7% do total de transações realizadas no período de um mês". O plano é criar um sistema "que tecnicamente garante a responsabilidade de um único contratado pelo funcionamento e gestão. Além disso, o sistema só funciona de maneira integrada, não podendo operar separadamente".

publicado por Levy às 04:14
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A grande mídia (PIG) não dá o devido destaque a pesquisa Vox Populi

DILMA.jpg

JANEIRO DE 2010

 

SERRA.jpg

DEZEMBRO DE 2009

 

Por Brizola Neto

 

A esperança é a última a morrer. A ética morre antes

 

Que coisa triste o papel a que se presta o Estadão. O jornal paulista, que quase sempre é reacionário mas não abre mão da qualidade, entrou na academia de ginástica verbal aberta ontem pela Band e dá o seguinte título sobre a pesquisa da Vox Populi: “Serra é favorito na corrida presidencial, segundo Vox Populi” . E, na linha de baixo, menor:  “Governador (de) São Paulo obteve 34% das intenções de voto; Dilma cresceu, mas ainda está em segundo lugar”.

 

 

Será possível que uma redução de 22 para 7 por cento da diferença entre dois candidatos, em apenas um mês,  não seja notícia? Coloco aí ao lado as duas reproduções da tela da Bandeirantes, para não haver dúvidas. A de dezembro foi retirada do site Viomundo.

Não basta escrever a verdade, é preciso que esteja contextualizada. Se fosse assim, a edição da TV Globo sobre o debate Collor x Lula, na eleição de 1989, uma das maiores vergonhas do jornalismo brasileiro, não teria sido nada demais.

Menos mal que ficamos sabendo que a pesquisa tem margem de erro de mais ou menos 3%.

 

 

Por Eduardo Guimarães

 

O processo de formação de opinião

Todo esse esforço que tem sido visto de alguns meses para cá de alguns veículos de mídia demonstrarem isenção foi posto no lixo com a minimização ou até ocultação escandalosas que acabamos de ver contra a pesquisa Vox Populi sobre a sucessão presidencial.


Fico pensando sobre essa teoria que embasa a decisão de Globo, Folha, Estadão, Veja e seus emuladores de fingirem que não notaram o resultado da pesquisa, resultado que produz a maior reviravolta no quadro sucessório desde que Dilma e Serra passaram a figurar como os principais candidatos a presidente.

 

Ora, uma rede de televisão de cobertura nacional (ainda que de baixa audiência) divulgou a pesquisa. Pela internet, será reproduzida por centenas de blogs e sites e por dezenas de milhares de comentários de leitores, ainda que os grandes portais também tenham ocultado ou minimizado escandalosamente notícia política tão relevante.

 

Mal acreditei hoje (sábado) ao passar os olhos pelos jornais dos grupos de mídia supra mencionados sem encontrar nenhuma referência à pesquisa Vox Populi. E mais me surpreendi dando uma olhada na página do principal blogueiro da Globo, na qual os comentaristas, durante a semana, apostaram que a Vox Populi mostraria Dilma “empacada”.

 

Em minha opinião, portanto, o processo de formação de opinião acontece de forma bem diferente da que imaginam essas grandes corporações midiáticas, as quais, agora, já se pode afirmar, claramente, que estão aliadas à campanha de Serra à Presidência.

 

Aí estão confinadas essas forças políticas que não querem enxergar a realidade de que hoje todos conseguem enxergar a política com maior clareza devido à informação viajar muito mais rápido e abranger muito mais gente do que no tempo em que tais forças falavam praticamente sozinhas no Brasil.

 

E, se pensarmos bem, até dá para entender por que a mídia não se deu conta das mudanças que o mundo sofreu, sobretudo no Brasil, porque foram muito rápidas. Faz só cerca de dez anos que a internet ganhou, por aqui, uma relevância maior, e bem menos tempo que adquiriu a relevância atual.

 

Claro que não se pode ignorar que há um fator que responde no mínimo pela maior parte da atual situação política revelada pela pesquisa Vox Populi, um fator que nada tem que ver com propaganda. O atual governo é bom, ou está sendo bom para quase todos, com raríssimas exceções.

 

A reação previsível de quem aparece na mídia como sendo maioria, mesmo sendo ínfima minoria, é a de negar completamente o que todos percebem e é comprovado inclusive por estatísticas. Quem leu a entrevista do presidente do PSDB, Sergio Guerra, à Veja sabe que a oposição adotou a tática maluca de negar a este governo méritos que todos vêem.

 

E todos podem ver simplesmente porque hoje, ainda que a tevê e os jornalões abranjam muito mais público, há um contingente expressivo e qualificado de cidadãos informando-se muito bem sobre tudo na internet, e muitos deles conseguem transmitir para centenas ou milhares de outros suas impressões, formando opinião em progressão geométrica.

 

Ora, a sucessão presidencial está embolada em favor dos petistas e as apostas dos serristas sobre a pesquisa Vox Populi feitas nos debates na internet os deixarão com um discurso incoerente, agora, ao tentarem desqualificar seus resultados.

 

O que é bom na internet é que basta acessar os comentários dos blogs das corporações midiáticas para ler o que cada um andou dizendo sobre a pesquisa até há pouco tempo.

Vivemos, portanto, um processo de formação de opinião política que nestas eleições deverá se mostrar inédito. Acho que veremos um fenômeno em que armações políticas grosseiras como essa de esconderem a Vox Populi ficarão claramente evidentes como nunca antes na história deste país.

 

publicado por Levy às 03:13
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Sábado, 30 de Janeiro de 2010

Grande timoneiro conduz São Paulo em segurança; gentalha deve-lhe desculpas

 

Do  Professor Hariovaldo

 

Lixo

A gentalha insiste em colocar o lixo nas ruas, como se os caminhões da prefeitura não tivesse nada mais importante para fazer do que recolher os dejetos desse povo. Aí está a raiz de todos os problemas das inundações

 

 

José Serra, audaz navegante das tempestades, conduz com destreza e técnica o leme da nau paulistânia em meio às tormentas e inundações provocadas pela gentalha ignara, grande poluidora e despreparada para viver ao lado dos homens bons de São Paulo. Qualquer outro estado, de qualquer outro lugar já teria naufragado, submergido, afundado como uma nova Atlântida, mas graças a brilhante liderança e a sagacidade inoxidável do governador Serra São Paulo resiste, estando pronto para resistir também a 2012.


Mesmo com a ação da gentalha jogando lixo até entupir todo o escoamento das águas, reduzindo a calha dos rios, estragando as bombas dos túneis; a capacidade gerencial ímpar do governo paulista resiste com solidez mantendo a boa governança sobre o povo, esse mesmo povo que o sabota.

 

Gentalha

Para a gentalha tudo é motivo para o vandalismo, mesmo algumas poças d'água na calçada

 

Inúmeros programas sociais contemplam as classes baixas, grandes obras assistências oferecem apoio e condições para a melhoria de vida de tais elementos reles, contudo, como demonstrou o Jornal Nacional ao longo da semana, e o Fantástico desse domingo, os membros da gentalha continuam colocando o lixo em sacos plásticos do lado de fora de suas casas, nas calçadas, o que mediante a qualquer chuvinha, causa grandes alagamentos, e depois essa mesma gente vai para ruas reclamar dos governos, como se eles tivessem culpa. Bando de inconscientes!  São os mesmos que em vez de irem residir em lugares aprazíveis e adequados como em Moema ou nos Jardins, vão fixar residências nas encostas dos morros ou na beira dos rios para depois, na hora do apuro se fingirem de inocentes e mais uma vez culparem o governo Serra, que nada tem a ver com a história.

 

 

Enquanto a gentalha blasfema, Serra lidera as orações para que os céus pare com as chuvas

 

Tudo isso tem manchado o Governo de José  Serra e a gentalha lhe deve desculpas públicas para que não fique uma má impressão para o resto da nação. As entidades, agremiações e associações que congregam os bandos dessa gente malfadada e fedida deve se reunir e emitir um comunicado isentando Serra e assumindo a responsabilidade por todos os transtornos causados a São Paulo e aos Paulistanos pelas chuvas, restaurando-se assim a verdade e a honra de nosso líder varonil, grande Almirante do Tietê.

 

publicado por Levy às 03:40
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Lula para Davos: Brasil será ator permanente no cenário do novo mundo

O discurso que o presidente Lula não leu em Davos (mas que foi lido pelo chanceler Celso Amorim), conforme reprodução do Vermelho:

 

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, recebe das mãos do ex-secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan o prêmio de "Estadista Global" conferido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça

 

Lula em Davos

 

"Minhas senhoras e meus senhores,

Em primeiro lugar, agradeço o prêmio "Estadista Global" que vocês estão me concedendo. Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida. Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando - mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado. Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos.

Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial. Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado.

O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo. O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo. O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.

Meus senhores e minhas senhoras,

O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos. Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical. Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.

No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos. Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações. Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática. E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.

Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos. Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu. Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.

Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial. Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.

O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga. Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?

Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte? É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família. Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.

Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.

Minhas senhoras e meus senhores,

O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou? Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil. Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta. Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?

Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral? Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos. E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora. E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.

Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.

Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto? Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?

Meus senhores e minhas senhoras,

Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso? Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.

Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas. Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?

Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia. Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham? Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?

O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas? Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.

Meus senhores e minhas senhoras,

Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise. Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre. Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.

Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas – ou políticas – equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado. Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.

O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social. E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.

Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil. Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.

Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão. Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.

Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros. Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.

Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.

As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito. Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de "crédito consignado", que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.

Minhas senhoras e meus senhores,

Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil. Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país. O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora. O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente.

Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global. A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação. Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.

Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias. É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar. Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.

Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar. Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde. Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos. E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.

Muito obrigado."


 

publicado por Levy às 03:01
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Isso é Uma Vergonha - Garnett

publicado por Levy às 01:36
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Por que não comprar os caças americanos.

publicado por Levy às 22:01
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Sou um cidadão brasileiro que resolveu se aventurar na blogosfera por não aguentar mais a "ditadura da mídia". O título do blog “BRAZIL 21” é uma referência as grandes mudanças que estão ocorrendo no Brasil neste início de século, mudanças que arremessam o país as primeiras posições entre os grandes países do mundo dentro de uma ou duas décadas e Brasil com "z" pelo grande sucesso e reconhecimento que está tendo no exterior, mundo afora.

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